• Equipe Mulher da Palavra

A mão invisível. por Bianca Bonassi Ribeiro


O ponto principal desse texto é ressaltar como a mão invisível de Deus articula os acontecimentos da vida cotidiana. Sendo assim, as ações individuais constroem um cenário dando forma a um grande quebra-cabeças. Pouco a pouco ele ganha forma, mas quando cada peça é vista isoladamente raramente se tem ideia e percepção do todo. Acredito que seja isso que torne o grande quebra-cabeças intrigante e fascinante ao mesmo tempo.

Desde pequena sou fascinada por histórias, especialmente por aquelas que relatam a vida de pessoas interessantes. Esse meu gosto por histórias, em parte foi influenciado por minha mãe e sua capacidade de inventar os mais diversos enredos, sempre de última hora. Ela, mesmo depois de um dia cheio de atividades cuidando da nossa família, quando se deitava conosco na hora de dormir, ainda assim, tinha criatividade para inventar cenários e estórias. Por outro lado, também fui altamente influenciada pelas histórias apresentadas no antigo testamento da Palavra de Deus.

O mesmo Deus, Autor, de várias histórias interessantes do passado, continua a escrever histórias incríveis ainda hoje. Sendo assim, eu gosto de estudar o passado, para entender melhor o presente. Por isso, essa meditação usa como tema a vida de Hadassa[1].

A história de Hadassa, tem como pano de fundo, o período que compreende o castigo de uma nação rebelde. Deus, depois de ter alertado inúmeras vezes sobre o pecado e idolatria praticados pelo povo de Israel, permitiu que esta nação fosse levada cativa e prisioneira pelo rei da Babilônia. Entretanto, todo o território babilônico foi subjugado pelo império Persa, que se tornou a nova potencia mundial da época.

Nesse cenário de escravidão, nasceu Hadassa, que ainda menina ficou órfã de pai e mãe e foi adotada e criada por seu primo Mardoqueu. Aqui, notamos a providência da Mão Invisível, alguém que se sensibilizou e cuidou de Hadassa,  em um momento de grande dificuldade e tristeza.

Depois de alguns anos, na corte Persa, a rainha Vasti, optou por afrontar o rei Xerxes, o grande e poderoso que dominava muitos povos, dentre eles os israelitas. Esse ato de rebeldia da rainha Vasti, foi usado pela Mão Invisível, para mudar radicalmente a vida de Hadassa. Isso porque, a insubordinação da rainha culminou em sua destituição real e abriu oportunidade para diversas moças do reino se candidatarem ao posto de nova rainha. Hadassa foi uma dessas candidatas à realeza. Caso o rei Xerxes se agradasse de Hadassa, ela seria eleita a nova rainha, do contrário, ela amargaria como mais uma concubina do rei em um harém dividido com muitas outras mulheres de pouca expressividade.

Nesse processo de candidatura real, todas as moças deveriam passar por um tratamento de beleza durante 12 meses. Ao longo desse ano de embelezamento, que antecedeu o encontro com rei Xerxes, a Mão Invisível, fez com que Hegai (o encarregado do Harém), favorecesse Hadassa. Hegai, providenciou à ela tratamento e comida especial, transferiu-a para o melhor lugar do Harém e ainda deixou sete moças à disposição para servi-la. Todos esses privilégios foram concedidos antes dela saber se seria ou não a rainha escolhida. Quando chegou o momento de Hadassa ser apresentada ao rei Xerxes, ela poderia ter escolhido levar qualquer coisa do Harém, mas optou por seguir a sugestão de Hegai e assim, ao se apresentar ao rei Xerxes, ela ganhou sua aprovação mais do que qualquer outra das virgens e foi eleita rainha em lugar de Vasti. Notamos, mais uma vez, a atuação da Mão Invisível agindo silenciosamente conduzindo os acontecimentos e pessoas.

Hadassa soube aproveitar as oportunidades que a Mão Invisível articulou ao seu redor, ela que um dia tinha sido órfã e escrava se transformou em rainha poderosa. Mas, a história continuou e certo dia, a Mão Invisível, permitiu que Mardoqueu (primo e pai de Hadassa), escutasse uma conspiração de dois oficiais do rei que pretendiam matar Xerxes. Mardoqueu contou à Hadassa, que passou a informação ao rei que ao apurar a veracidade da conspiração, optou por mandar enforcar os traidores. A Mão Invisível, preservou a vida de Xerxes e elevou ainda mais a nobreza da rainha Hadassa, especialmente junto ao rei da Pérsia.

No entanto, na corte do rei Xerxes, havia um nobre chamado Hamã, um homem com muito poder e prestígio e muitas pessoas se curvavam e se prostravam diante dele, exceto Mardoqueu. Essa atitude fez com que Hamã tivesse ódio de Mardoqueu  e de todos os demais israelitas. O ódio era tal, que ele planejou um decreto real que em pouco tempo exterminaria todos os israelitas do império.  Mas, Hamã não sabia que a rainha Hadassa era de origem israelita. 

O decreto elaborado por Hamã seria executado em poucos meses e todo o povo israelita estava angustiado pelo mal que estava por vir. Mardoqueu também estava entristecido e pediu para que a rainha Hadassa intercedesse pelo povo junto ao rei Xerxes. Mas, havia ainda outro agravante, pela lei Persa, um homem ou mulher poderia se aproximar do rei apenas se fosse chamado(a) e fazia mais de trinta dias que Hadassa não era convidada a comparecer à presença do rei. Se ainda assim, a pessoa insistisse em falar com o rei, poderia ser morta ou teria de contar com a benevolência dele. Hadassa temeu por sua vida, mas foi desafiada por Mardoqueu a considerar se não tinha sido eleita rainha, justamente para agir num momento como este, em favor de uma nação.

Depois de três dias de preparo, Hadassa, vestiu seus trajes de rainha e dirigiu-se ao rei Xerxes e quando ele a viu, teve misericórdia dela e ao invés de condená-la perguntou qual era o seu pedido. Mais uma vez, a Mão Invisível, permitiu que Hadassa fosse favorecida. A rainha convidou o rei Xerxes e Hamã para um banquete no dia seguinte, ambos compareceram e lá o rei perguntou novamente à Hadassa qual era o pedido dela. A resposta foi: “Se posso contar com o favor do rei, e se isto lhe agrada, poupe a minha vida e a vida do meu povo; este é o meu pedido e o meu desejo”(7.3). O rei ficou perplexo e perguntou quem era o responsável pela tentativa de destruição dos israelitas e quando descobriu que tinha sido Hamã mandou enforca-lo.

Naquele mesmo dia, o rei Xerxes deu todos os bens de Hamã à rainha Hadassa e permitiu que ela e Mardoqueu fizessem um novo decreto autorizando que os israelitas podiam se defender e se protegerem de ataques inimigos. O povo exultou pelo livramento obtido e mais uma vez, a silenciosa Mão Invisível, operou sem que nada saísse do Seu controle.

A história de Hadassa é a história de Ester, que significa estrela. Essa história foi escrita para brilhar ainda hoje, especialmente enfatizando a ação da Mão Invisível que continua a agir nas nossas vidas e cotidiano. O nosso desafio é olhar com atenção e identificar a atuação da Mão Invisível em nosso cotidiano. Devemos almejar sermos como estrelas, porém a diferença é que não temos luz própria, mas refletimos a Luz da Mão Invisível, que é Deus.

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre (Dn 12.3)”

Bianca Bonassi Ribeiro 


[1] A história de Hadassa está escrita na Bíblia (Antigo Testamento), no livro de Ester capítulos 1 a 10.


Bianca é casada com Luciano. Eles têm dois filhos, o Pedro e o Vitor. Ela faz parte da equipe docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP, desde 2007 e é membro da Primeira Igreja Batista de Atibaia.

Bianca é doutora em Comunicação e Semiótica, mestre em Administração e graduada em Administração de Empresas.

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"FALA COM SABEDORIA E ENSINA COM AMOR."

Proverbios 31:26