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A mulher pode ser pastora? Análise crítica ARGUMENTO POR ARGUMENTO. PARTE 1. por Wagner Ferreira.



Os ordenistas batistas apresentam uma série de argumentos, que segundo eles são convincentes para reconhecer o ministério pastoral feminino como legítimo. Os mais populares serão colocados nesta série chamada “Argumento por argumento”. Ela terá a finalidade de mostrar que eles não são tão convincentes assim. O primeiro e mais popular é o argumento que supõe a igualdade de gênero.

 A igualdade de gênero

         Com base em Gálatas 3.28, os ordenistas acreditam que este texto prova não existirem quaisquer diferenças entre homem e mulher, mesmo se tratando de posição ou função. Então, a mulher tem o direito de exercer qualquer função do seu desejo. As expressões comuns  referentes a esse pressuposto são apresentadas nos artigos que seguem:

“Pela origem da mulher, sabemos que em nada é inferior. Ela sempre existiu diante dos ohlos de Deus como vaso muito precioso, assim como o homem […] Nas escrituras, desde o princípio, as mulheres vêm desempenhando papel considerável. Miriam, profetisa, irmã de Moisés, após a derrota dos egípcios no Mar Morto, lederou as mulheres fazendo-as glorificar o nome do Senhor (Ex 15.2-2-21). […] As mulheres participavam também dos sacrifícios, conforme Juízes 13.20-23. Após o exílio, podiam chegar à presença do Senhor para fazer seus votos “…e até as mulheres e os meninos se alegraram de modo que a alegria de Jerusalém se ouviu até de longe”(Ne 12.43). Ora, se a mulher podia servir como juiza, profetiza, anunciadora da mensagem da ressurreição, diaconisa, por que então não poderia servir como pastora? […] A Bíblia nos diz em Gl 3.28 que todos nós somos iguais em Cristo Jesus nosso Senhor – não h;a macho nem fêmea […] Se o homem produz um livro, também a mulher. Se o homem exerce a medicina, também a mulher. Se o homem se destaca como dentista, também a mulher. Se o homem serve a Deus, também a mulher. Se o homem pode ser escolhido por Deus para o serviço, também a mulher. (Jornal Batista. 03.10.1976. p. 5).

Um colaborador do jornal escreve o seguinte:

“Meu raciocínio, favorável à consagração de mulheres, é bem simples e neotestamentário, e se resume no seguinte: Jesus Cristo veio ao mundo, exatamente para abolir toda e qualquer espécie de preconceito, para libertar escravos, crianças, pobres e mulheres. No cristianismo, não há mais lugar para livre e escravo, homem e mulher. Paulo manda Filemon receber Onésimo, seu escravo convertido, não mais como servo, mas como irmão. Os grilhões que acorrentavam a mulher também foram quebrados por Jesus. E aqui, então, cabe, perfeitamente, o que, inspiradamente, escreveu o apóstolo Paulo na epístola aos Gálatas, de modo definitivo: “Nisto não há judeu nem grego, não há servo nem livre, NÃO HÁ MACHO NEM FÊMEA”, porque todos vós sóis um em Cristo Jesus”. Gl 3.28 (Jornal Batista – 18 de dezembro de 1994 – pg 12). 

Um colunista do jornal escreve: “…na criação, homem e mulher em conjunto manifestam a pluralidade da Imago Dei, a imagem de Deus, e enfatizar a importância de um ou desmerecer o valor de outro só faz com que o reflexo de Deus seja fragmentado”. Igualmente se lê:

“Afora tais pressupostos que consigo enxergar na Bíblia sem maiores dificuldades, carrego comigo algumas certezas que só têm sido comprovadas ao correr dos tempos: a) as mulheres em tudo são tão capacitadas, ou até mais, quanto os homens, só não tiveram oportunidades de demonstrar isso, como agora as têm.” (Jornal Batista – 29 de julho de 2002 – p. 6).

“Desde os dias do Éden a mulher tem sido vítima do machismo e do pré-conceito dos homens. Outras gerações vieram e a mulher foi sendo degradada nos seus legítimos direitos de igualdade. A mulher nasceu num estágio mais refinado, não veio diretamente do barro, mas de uma matéria prima mais trabalhada. Há várias passagens no Velho e no Novo Testamento ensinando que Deus não faz acepção de pessoas. Apesar da ênfase paulina sobre a submissão da mulher, Tiago condena tal prática ao afirmar: ‘…mas se fazeis acepção de pessoas cometeis pecado’ (Tiago 2.9)”. (Jornal Batista – 15 de maio de 1994. p. 11).

Matriz do conceito de Igualdade de Gênero

Onde surgiu a ideia de igualdade de gênero na história?

            Elizabeth S. Fiorenza é a principal referência mundial na luta pela igualdade de gênero, em suas obras, ela apresenta o argumento dessa igualdade baseada em Gálatas 3.28.   Em seu livro “ As Origens Cristãs  a partir  da Mulher”, ela dedica um capítulo inteiro para tratar do assunto. Ao tratar do tema, ela cita uma série de autores de caráter abertamente liberal, como por exemplo: Robin Scroggs, autor do livro, O Novo Testamento e a Homossexulidade, no qual apresenta proposta para uma discussão contemporânea na igreja. Ela cita também Robert Jewett, o qual contribui com escritos gnósticos femininos. (Images of the Feminine in Gnosticism –editado por Karen L. Kin )

Ela adota uma hermenêutica feminista para intepretação dos textos bíblicos. E segundo o seus pressupostos, determinados textos podem ser corrigidos, relativizados ou até mesmo desmentidos, por meio de outros textos bíblicos, de textos extra bíblicos, de material arqueológico e iconográfico. ( Exegese Feminista, Silvia Schoer – pg 86  ).

Por fim, vale lembra que Fiorenza  tem formação  liberal. A teóloga católica feminista, Elizabeth S. Fiorenza recebeu em 1963 a Theologicum (Licenciada em Teologia) da Universidade de Würzburg. Posteriormente obteve o diploma de Doutor em Teologia pela Universidade de Münster. Em 1967, ela se casou com Francis Schüssler Fiorenza, um teólogo americano que estudava na Alemanha. Em 1970, ambos obtiveram compromissos de ensino na Universidade Católica de Notre Dame. Ela ensinou na Episcopal Divinity School em Cambridge, Massachusetts. [2]

Em 1984, Schüssler Fiorenza foi uma dos 97 teólogos e religiosos que assinaram uma declaração católica sobre pluralismo e aborto, pedindo pluralismo religioso e discussão dentro da Igreja Católica sobre a posição da Igreja a respeito do aborto.  Em 1995, Schüssler Fiorenza recebeu um doutorado honorário da Faculdade de Teologia da Universidade de Uppsala.

O Jornal Batista publica na coluna Perguntas e Repostas no dia 6 de abril de 1939 página 4 , uma resposta aos leitores que sugere a igualdade entre homens e mulheres na perspectiva correta. Observe o texto que segue:

“O evangelho sem dúvida levantou a mulher da degradação em que se tinha afundado, especialmente no oriente; e não obstante ela estarem quanto à graça, nivelada com o homem (Gl 3.28) sua sujeição quanto à ordem e modestia devia ser mantida”. (Com Jameson-Fausset Brown).

O correspondente identificado como TRT, Theodoro R. Teixeira, redator executivo cita o Comentário Bíblico de Jameson Fausset Bronw. Editado por  Andrew Robert Fausset and David Brown e publicado em 1871. O seu comentário a respeito de Gálatas 3.28 se refere à filiação pela fé  em Jesus, a qual não privilegia nenhuma classe para a questão soteriológica. O uso que o redator fez foi  adequadamente contextualizado.

Mas infelizmente em 25 de outubro de 1992, o texto já estava sendo usado para a defesa do ministério feminino na Convenção Batista Brasileira. O pastor Davi Gomes, ao responder uma pergunta do leitor, cita Galátas 3.28, para sustentar a igualdade de gênero no ministério.

“Na verdade, não existe contradição em mim, como não a existe na Bíblia. Miriam, irmã de Moisés e Débora foram grandes pregadoras; Hulda, a profetiza, foi instrumento de Deus em grande avivamento e o livro de atoso registra as filhas de Filipe como “profetizas”, ou seja, intérpretes da escritura na pregação (At 21.9). Se as filhas do evangelista pregavam, entende-se que as mulheres não viviam tão caladas assim. Em 1 Co 11.5 Paulo admite que a mulher fale. Em Rm 16.1-3 o apóstolo fala de outra mulher maravilhosa, que chama diaconisa e que mantinha seu nome entre os servos fiéis de Deus. Ao escrever aos Gálatas, Paulo declara no capítulo 3.28: ‘Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Observe-se a ausência total de preconceito de raça nesse ensino. Acontece que entre os gregos havia completa discriminação no que dizia respeito à mulher. Sócrates escreveu: O silêncio confere graça a mulher.”.

Contra Argumento

Em primeiro lugar, não há a menor dúvida de que Deus fez homem e mulher segundo a sua imagem, no entanto a Bíblia mais de uma vez no NT ( I Tm 2 e I Co 11) apresenta uma diferença funcional. Paulo não iria contradizer-se  afirmando uma igualdade plena em uma carta (Gl 3.28) e em outra negando-a.  Uma pergunta necessária que deve ser feita é a seguinte: – Onde Paulo enraíza a subordinação da mulher na criação ou na queda? Se a subordinação está atrelada à queda e está abolida, porque os mais claros sintomas da queda ainda não foram também abolidos (dores de parto, trabalho duro e a morte física)?  Paulo no Novo Testamento, especialmente em I Timóteo 2.13 fundamenta a submissão da mulher na criação e não na queda. 

Em segundo lugar a carta de Paulo aos Gálatas tem teor soteriológico, enquanto a primeira carta a Timóteo enfatiza questões eclesiásticas.  Portanto, seria razoável julgar questões relacionadas ao funcionamento da igreja, primeiramente com base nas pastorais. De forma nenhuma a declaração de Gálatas 3.28  deve ser ignorada, porém , ela precisa ser colocada num contexto de conflitos de classes na herança do reino de Deus e não nas práxis dos ofícios da igreja. A preocupação central de Paulo em Gálatas era deixar claro que todos teriam acessado aos benefícios da redenção e não e apenas uma elite judaica.

Wagner Ferreira


Referências

OJB  O Jornal  Batista 6 de abril de 1939 – pg 04

OJB  O Jornal  Batista  3 de outubro de 1976 – pg 05

OJB  O Jornal  Batista 25 de outubro de 1992  – pg 02

OJB  O Jornal  Batista 15 de maio de 1994 – pg 11

OJB  O Jornal  Batista 18 de dezembro de 1994 – pg 12

OJB  O Jornal  Batista  29 de julho de 2002  – pg 06

Christian Tolerance: Paul’s Message to the Modern Church, l47 page book by Westminster Press, l982.

FIORENZA, Elisabeth S. As Origens Cristãs a Partir da Mulher: uma nova hermenêutica. Tradução João Rezende Costa. São Paulo: Edições Paulinas, 1992. 

SCHOTTROFF, Luise; SCHROER, Silvia; WACKER, Marie Theres. Exegese Feminina. Trad. Monika Ottermann. São Leopoldo: Sinodal, 2008. 







Pr. Wagner é casado há 20 anos com Rita Ferreira, pastor há 12 anos da PIB de Cambuí-MG. 


É mestre em Teologia -NT, pelo SBPV, Bacharel em Teologia – SBPV.


Atua também como professor do Ministério Pregue a Palavra.

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Proverbios 31:26