• Mulher da Palavra

Caminhando no deserto


Como os israelitas do Antigo Testamento, sou cega à depravação do meu próprio coração, até que Deus me leve ao deserto.

Que experiência incrível deve ter sido passar pelo êxodo e ver o poder e o amor de Deus revelados em favor de seu povo!


Imagine a dor e a opressão da escravidão que eles suportaram nas mãos dos egípcios e, depois, os acontecimentos ligados a todas aquelas pragas. Como os israelitas devem ter regozijado ao ver seus perseguidores serem afligidos por seu Deus poderoso e vingador.


E ainda houve uma noite sombria e fatídica, quando os primogênitos do Egito morreram, e o povo de Deus realizou uma aterrorizante e apressada fuga. O drama atingiu seu ápice quando Deus disse a Moises que estendesse seu cajado, e uma nação inteira assistiu, maravilhada de alegria e com espanto, Deus abrir o mar e conduzi-los em segurança pelo meio das mesmas águas que, em seguida, ele usou para esmagar seus inimigos...


Mas, ficamos perplexos com o fato de que, apenas alguns dias depois de testemunharem esses grandes milagres, os israelitas reclamaram de sede e ficaram temerosos de que Deus houvesse levado ao deserto para morrerem.


No deserto, os israelitas foram confrontados, ao vivo, e em cores, com seus próprios pecados e fraquezas. Quando Deus os levou ao sofrimento e à dificuldade, eles não conseguiram se lembrar dos atos miraculosos que o Senhor havia realizado por eles. O medo os cegou, levando-os a esquecer da bondade de Deus e acusá-lo do mal.


No deserto seus corações pecaminosos e idolatras foram expostos para que eles os vissem e para que nós aprendêssemos a partir das experiências deles...


Eles não compreendiam que a coluna de fogo e fumaça que os levara a vitória seria a mesma que os conduziria às provas e às dificuldades, a fim de lhes mostrar o que havia em seus corações. Eles seguiram o Deus da força, libertação e da promessa, porém, rejeitaram completamente o Deus que também os conduziria pelo vale da morte.


Interessante notar, que eu também tenho um coração como este, amo a Deus profundamente e o adoro fervorosamente quando ele me leva por caminhos agradáveis de paz e de alegria.

Todavia eu em viro contra ele rápida e repentinamente quando contraria a minha vontade e me ordena caminhos áridos assustadores e desconfortáveis.


Se ele nunca tivesse me levado par o deserto, eu nunca descobriria o que realmente existe em meu coração. Eu me enganaria facilmente, ao acreditar que o amo muito e que estou ansiosa para me submeter a sua vontade.


Certa manhã, Deus em ensinou poderosamente essa lição, em um momento de inquietação, pouco antes do amanhecer.

Eu estava debaixo do chuveiro, mas uma vez, às três horas da manhã. A enxaqueca havia durado por várias horas e não mostrava sinais de melhora...


Estava no meu limite, e uma raiva poderosa contra Deus desabou sobre mim, e acusações jorravam, enquanto as lágrimas começavam a cair.” Deus já implorei repetidas vezes que você de um fim nestas dores de cabeça... Porque você não me ouve, porque não se importa?” Eu sabia que Deus tinha o poder de realizar toda a sua santa vontade. Ele poderia remover facilmente todas as minhas dores de cabeça, e fui levada a lutar com o fato de que ele não iria faze-lo, apesar de quanto eu implorasse ou suplicasse.


De repente, um pensamento invadiu a minha mente e eu sabia que não vinha de mim. “...se Deus me ama – e sim ele me ama, pois provou isso na cruz – então, é o amor que o compele a não fazer a minha vontade neste momento. Por que um Pai amável e celestial planejaria isto para mim hoje?


Comecei a orar e confessar minha raiva grosseira contra Deus. Essa experiência no deserto de dor constante, levou-me a me levantar diante de Deus e a erguer o punho com raiva infantil.

Meus olhos foram abertos para a enxurrada de pecados que jorravam de meu coração contra Deus, pelo fato de Ele não fazer a minha vontade ou me deixar fazer as coisas como eu quisesse; então fui quebrantada.


Deus nunca havia me prometido uma vida sem dores, mas eu achava que ele me devia exatamente isso e o odiava quando ele não cumpria a minha vontade ou não agia como meu empregado.


Minha postura diante de Deus havia sido a de uma pessoa que se julgava merecedora e cheia de exigências sem fim. Essa informação era nova para mim, mas não era para Deus. Ele sempre viu meu coração e sabia o que havia dentro dele, mas esperou amorosamente até esse dia para abrir meus olhos e me mostrar a profundidade do meu pecado.


Uma imagem se formou na minha mente ao me visualizar diante da cruz do meu Salvador, agonizando, enquanto eu o afrontava por não ter parado a minha dor de cabeça.

Deus me levou ao deserto para me revelar meus pecados, porque enxerga-los é bom para mim e glorifica a Ele.


Ver nosso próprio pecado é algo bom para nós, pois, quando, fazemos isso, nosso Salvador torna-se mais estimado por nós.

Quando estamos firmes e fortes, não costumamos olhar pra Cristo. – Não precisamos dele. Porém, quando caímos, derrotados pelo pecado e pela fraqueza, não há para quem olharmos a não ser para aquele que morreu a nossa morte e viveu a vida que deveríamos ter vivido.

Barbara R. Duguid

Texto retirado com permissão


Duguid, Barbara R. Graça Extravagante : a glória de Deus revelada em nossa fraqueza/ Barbara R. Duguid - São Jose dos Campos, SP: Fiel, 2015 . Pág 158

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Proverbios 31:26