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O que há por trás do movimento de ordenação de mulheres ao ministério pastoral? por Wagner Ferreira

Atualizado: 24 de Jul de 2019



Este artigo abordará os pressupostos e o pano de fundo da ordenação feminina: suas origens históricas, suas ideologias e os principais caminhos que tomaram para atingir a Convenção Batista Brasileira.

           O FUNDO HISTÓRICO DA ORDENAÇÃO FEMININA

Até onde se sabe a primeira mulher a ser ordenada ao ministério pastoral foi Antoniette Louisa Brown, de origem Congregacional, nascida em New York – Estados Unidos da América. Em 1851 foi dada pela Igreja Congregacional uma licença para pregar e em seguida lhe foi oferecida uma posição como ministra de uma igreja Congregacional em South Butler, New York em 1852. Quando Brown faleceu com a idade de 68 anos, após sua ordenação, havia mais de 3000 mil ministras nos Estados Unidos. Hoje poucas denominações não cederam ao movimento a favor de mulheres no ministério pastoral.

            Entre os batistas brasileiros a primeira tentativa para a ordenação de uma mulher aconteceu na década de 70 em Campinas (O JORNAL BATISTA  23 e 30/01/94), mas a primeira mulher a passar por um concílio para ordenação pastoral aconteceu somente em 1999 (O JORNAL BATISTA  04.10.1999).

Em janeiro de 2007, a OPBB, reunida em Florianópolis/SC, rejeitou o ingresso das pastoras. Em janeiro de 2008, em São Luiz/MA, a OPBB proibiu as Seções e Subseções de participarem da ordenação de pastoras, uma vez que estava crescendo muito o número das que estavam participando de concílios. Em 2014 na cidade de João Pessoa na Paraíba, a OPBB na sua instância maior decidiu que cada Seção deveria consultar seus membros se aceitaria ou não a inscrição de pastoras.

           AS SUAS ORIGENS

             Nos Estados Unidos em 1848 Candy Stanton liderou uma reunião na Igreja Metodista Wesleyana em Seneca Falls[1] (Nova Iorque), que entrou para a história como a faísca inicial que fez arder o movimento de mulheres norte americano na luta pelo voto das mulheres, pela educação de mulheres e pela independência legal da tutela de seus pais e maridos. 

            Na Alemanha havia um primeiro movimento de mulheres já em torno do ano de 1848, no entanto uma participação mais acentuada delas aconteceu em 1870, vindicando acesso à educação e direitos civis femininos.  Em 1900 um ensaio publicado por Adolf von Harnack[2], descreve a eminente importância das mulheres para o inicio do cristianismo e sugeriu que a Epístola aos Hebreus fora escrita por uma mulher.  Em 1907 a primeira mulher recebeu seu diploma de licenciatura em Ciências Bíblicas na Universidade de Jena[3], seu nome era Carol Barth, que manteve sua luta por acesso igual de teólogas protestante ao pastorado.

           AS SUAS IDEOLOGIAS BÁSICAS

A necessidade de um novo modelo de intepretação bíblica. Uma vez que a fé e a tradição estão sempre entretecidas com os seus contextos culturais, políticos, sociais e com sua linguagem, não basta simplesmente interpretar e entender o texto bíblico, também é preciso definir teologicamente o que constitui a verdadeira Palavra de Deus e o cerne da mensagem cristã[4].

Traduções e intepretações androcêntricas. Os textos bíblicos, como são lidos por indivíduos ou ouvidos na liturgia da igreja, perpetuam o preconceito e a exclusividade machista de nossa própria cultura e linguagem, indiscutivelmente a linguagem bíblica é androcêntrica[5].

Não há homem nem mulher. As cartas paulinas autênticas vão numa progressão que leva o pleno reconhecimento da igualdade.  A interpretação de Krister Stendahl de Gálatas 3.28 sugere que: “a afirmação restringe-se ao que ocorre em Cristo pelo batismo. Ora, em Cristo supera-se a dicotomia pelo batismo, nova unidade é criada, e isso não somente é uma coisa discernida pelos olhos da fé, mas uma coisa que se manifesta nas dimensões sociais da igreja”[6].

O cânon bíblico.  O processo da formação do cânon em relação com o Novo Testamento aconteceu paralelamente com a exclusão de mulheres dos ministérios eclesiásticos. Surge para qualquer efeito em relação com a questão do ministério, o problema de “que somente aqueles textos que pareciam conciliáveis com a exclusão de mulheres de ministérios eclesiásticos foram considerados como inspirados, por aqueles que estavam interessados na exclusão das mulheres”.[7]

Uma questão de libertação. “As teologias de libertação insistem que a revelação e autoridade bíblicas encontram-se nas vidas dos pobres e oprimidos inclusive a mulher, cuja causa adotou Deus como seu advogado e libertador” [8] (grifo do autor). Uma hermenêutica crítica de libertação compartilha a atitude de defesa das teologias de libertação, mas, ao mesmo tempo, “elabora não só a realidade da opressão das mulheres, mas também o poder das mulheres como o locus da revelação”[9]

 AS SUAS INFLUÊNCIAS NA DENOMINAÇÃO BATISTA

Desde o inicio do século passado, quando o O JORNAL BATISTA iniciou seu ministério de comunicação na denominação, muitas publicações apresentavam um anelo pela libertação da mulher. Variados artigos promovem conscientemente ou não, alguns ideais do movimento feminista, por exemplo, na edição de 19 setembro de 1902, o Jornal Batista Publica um artigo, cujo título é “A mulher na Índia”. Nele a posição da mulher cristã em relação à mulher pagã é supra exaltada. Ele chega a afirmar que na cristandade a igualdade do homem e mulher é um fato consumado [grifo do autor]. Archimia Barreto, uma colaborada e colunista do jornal faz incessantes apelos para que a mulher alcance sua liberdade através do evangelho e da educação. Em um dos seus artigos (setembro de 1903), ela via a mulher como um ser fragilizado, digno de ser cuidado, percebia que a mulher era subjugada em países pagãos, mas também percebia sua liberdade principalmente no ambiente cristão. May S. Deter tem seu artigo publicado nas páginas 6 e 7 da edição 14 de 30 de maio de 1904, intitulado A mulher no tempo, antes e depois de Cristo, no qual ele faz uma comparação entre a mulher com e sem Cristo e conclui que as mulheres antes de Cristo eram tratadas como escravas, e ainda nos dias dele (1904), as mulheres que não têm Jesus são escravas também. Exemplifica esta escravidão com acontecimentos trágicos de mulheres na Índia e na Coréia, concluindo que as mulheres que têm Cristo são tão estimadas como os homens e elas têm a mesma oportunidade que os homens têm. Embora no início do século XX não houvesse bandeiras levantadas a favor do movimento feminista, havia uma ideia de que a mulher era oprimida e necessitava de libertação, tanto que Archimia Barretos acreditava que o evangelho libertaria essas mulheres da escravidão sexista, mas esse era um problema do mundo secular e não da igreja.

As demais décadas vão se abrindo mais e mais para a influência feminista no meio batista. Num discurso, publicado no OJB em novembro de 1911, pronunciado pelo reverendo Antônio Marques, trazendo o tema: Débora Como Exemplo De Mulher Cristã, após uma calorosa introdução exaltando o ministério fundamental da mulher na sociedade e igreja, ele expressa as seguintes palavras: “as mulheres…devem trabalhar, a par do bem material, pela emancipação da mulher brasileira da tutela de irresponsabilidade própria em que tem vivido presa desde gerações”. Da década de vinte até a década de quarenta do século passado,  várias notas exaltando as conquistas das mulheres foram publicadas pelo OJB. Algumas com o seguinte  título:  Vitória do Feminismo”[10]. Entre as décadas de quarenta e cinquenta uma tentativa de resgatar o papel da mulher no lar, na igreja e consequentemente na sociedade é colocada em trânsito. As notas sobre o progresso do feminismo desapareceram e há apenas uma informando que a Convenção Batista dos Estados Unidos elegeu uma mulher para presidente. Há também apelo às igrejas para reconhecerem o ofício de diaconisas. Entre as décadas de cinquenta e sessenta pouco se fala sobre o papel da mulher, mas um artigo chama a atenção, pois critica duramente o pouco espaço que é dado para mulheres nas igrejas[11]. Na sétima década (1961-1970) , na coluna Perguntas e Respostas  algo também chama atenção, pois o respondente sugere que paradigmas devem ser quebrados. Na década seguinte (1971-1980) o “boom” missionário da JUNTA DE MISSÕES MUNDIAIS atrai todos os refletores e muitas mulheres vão para o campo e veem a necessidade de exercer funções pastorais sem que tenham o título. Esse foi o problema que contribuiu para suscitar a polêmica estabelecida nas décadas seguintes ( 1981-2000). O OJB publica artigos favoráveis à ordenação feminina, suscitando uma discussão interminável que finalmente deságua na postura da OPBB em 2014. No meio do fogo cruzado dos efervescentes debates, a Primeira Igreja Batista em Campo Limpo/ SP decide ordenar uma mulher ao ministério pastoral em junho de 1999. Em  janeiro de 2000 os batistas cearenses votaram favorável à ordenação de mulheres. A Convenção Batista Paraibana em 2002 também aceitou a ordenação de mulheres e o OJB publica artigos assinados por pastoras na décima primeira década. Consequentemente toda esta querela foi parcialmente sancionada em janeiro de 2014 na Assembleia da OPBB em João Pessoa/PB.

           OS PRESSUPOSTOS APRESENTADOS NO O JORNAL BATISTA FAVORÁVEIS À ORDENAÇÃO FEMININA

O material usado abaixo é fruto de uma pesquisa em 35 artigos do semanário da CBB, os quais se colocaram diretamente favoráveis ao ministério pastoral feminino.  Não é possível reproduzir todos os argumentos em virtude da extensão do material. Também não foi possível apresentar todos os pressupostos pela mesma razão, portanto eles foram limitados aos dez mais usados.

            A igualdade de gênero

            Com base em Gálatas 3.28, os ordenistas acreditam que este texto prova não existirem quaisquer diferenças entre homem e mulher, mesmo se tratando de posição ou função. Então, a mulher tem o direito de exercer qualquer função do seu desejo. As expressões comuns nos artigos referentes a esse pressuposto são:

“… Hoje estamos nos deparando com um problema, que para nós, há muito fora equacionado por nosso Senhor Jesus Cristo – o da igualdade entre o homem e a mulher diante do olhar paternal de Deus e da sociedade… A Bíblia nos diz em Gálatas 3.28 que todos nós  somos iguais em Cristo Jesus Nosso Senhor – não há macho nem fêmea. Esta afirmativa de Paulo, que é resultante da inspiração divina, restitui ao Senhor Deus o direito e a liberdade d’Ele escolher, para o seu serviço quem Ele desejar, independentemente de sexo[12].

Um colaborador do jornal escreve o seguinte:

“…Meu raciocínio favorável à consagração de mulheres é bem simples e neotestamentário, e se resume no seguinte: Jesus veio ao mundo exatamente para abolir toda e qualquer espécie de preconceito, para libertar escravos, crianças, pobres e mulheres. No cristianismo não há mais lugar para livre e escravo, homem e mulher…”[13]

Um colunista do jornal escreve: “…na criação, homem e mulher em conjunto manifestam a pluralidade da imago Dei, a imagem de Deus, e enfatizar a importância de um ou desmerecer o valor de outro só faz com que o reflexo de Deus seja fragmentado”[14]. Igualmente se lê:

“Desde os dias do Éden a mulher tem sido vítima do machismo e do pré-conceito dos homens. Outras gerações vieram e a mulher foi sendo degradada nos seus legítimos direitos de igualdade. A mulher nasceu num estágio mais refinado, não veio diretamente do barro, mas de uma matéria prima mais trabalhada.  Há várias passagens no Velho e no Novo Testamento ensinando que Deus não faz acepção de pessoas. Apesar da ênfase paulina sobre a submissão da mulher, Tiago condena tal prática ao afirmar: ‘…mas se fazeis acepção de pessoas cometeis pecado’ (Tiago 2.9)”[15].

A omissão escriturística


            Esse pressuposto afirma que não há nas Escrituras nenhuma proibição direta quanto ao pastorado feminino. Portanto não há nenhum problema teológico se uma igreja reconhece o chamado e ordena uma mulher ao ministério pastoral. Rui Xavier Assunção afirma: “…Do Gênesis ao Apocalipse não há um só versículo  proibindo a mulher de exercer o pastorado. O que não é proibido é permitido.”[16] Na guerra das palavras, o pastor e advogado Roberto G. C. Coelho, expõe:

“ O grande obstáculo para consagração de mulheres ao pastorado é a ideia de que não há base bíblica para isso. Talvez os que fazem essa afirmação querem encontrar uma frase, um mandamento para que as igrejas tenham pastoras. Assim como não há uma permissão clara, afirmam que o pastorado para mulher é antibíblico”[17].

Há autores que mesmo se posicionando favoráveis quanto à ordenação feminina não entendem que existe na Bíblia subsídio para nenhum dos lados da polêmica. Celso A. S. Barbosa escreve: “…Tenho para mim que não encontraremos no texto bíblico, nem exemplos, nem princípios, nem ordenamentos – a não ser conclusões de ótica pessoal que sejam explícitas e claramente disciplinadoras da matéria em análise, qualquer que seja a posição defendida”[18]. E segundo a publicação de Zaqueu M. de Oliveira “não existe nada no Novo Testamento que confirme ou negue a prática de imposição de mãos sobre mulheres na igreja primitiva, para qualquer ministério”[19]. Josué Mello Salgado explica que a controvérsia do pastorado feminino faz menção de duas escolas de pensamento. 1. Os taboristas – da cidade de Tabor, Boêmia República Theca. Os taboristas eram a facção radical dos hussistas (Jan Huss) e defendiam o princípio de que tudo aquilo que não estava expressamente autorizado pela Bíblia deveria ser rejeitado. Já a outra escola, os ultraquistas, facção moderada dos hussistas ensinavam que somente aquilo que a Bíblia proibia expressamente devia ser proibido na vida da comunidade cristã.  De tendência taboristas, alguns creem que a Bíblia não autoriza de forma expressa, ipsis litteris, a consagração de mulheres ao pastorado. Portanto a consagração deve ser rejeitada. E presume-se, uma vez que não está no artigo que os de tendência utraquista creem que como não há proibição clara, pode se ordenar mulheres ao ministério pastoral. O fato de não haver mulher no grupo apostólico, não pode ser entendido como uma proibição ao ministério pastoral para as mulheres, e se o ministério não ficou proibido aos escravos, aos gentios, aos negros e aos gregos, porque ficaria para as mulheres?[20].                     

O chamado para o ministério 


Esse pressuposto evoca para si o direito de entender que o chamado ao ministério pastoral é para todos sem qualquer distinção e se Deus distribui dons, isso inclui as mulheres. O Pr. Roberto G.C. Coelho propõe o seguinte: “…Se os dons conforme apresentados nas cartas paulinas são dados a todos os crentes (sem distinção de sexo)…então porque julgar que o dom do pastorado…só pode ser dado a homens e não às mulheres?”[21]. A consagração de uma mulher para o ministério pastoral não pode ser negada uma vez que ela é vocacionada por Deus. O Pr. Jairo Barbosa Penha sugere que “…nada impede a consagração de uma mulher vocacionada por Deus para a excelente obra do exercício ministerial.. a primordial condição para a consagração ou separação para o serviço específico no Reino…é uma verdadeira e autêntica vocação”[22]. O pastor Josué Mello Salgado assevera com muita firmeza que o ministério pastoral feminino é autêntico porque parte de uma chamada divina, diz ele:

“…Não defendo a ordenação de mulheres ao ministério pastoral! Defendo a prerrogativa de Deus decidir soberanamente sobre a matéria…Notem bem o problema,  nós cremos que é Deus quem chama e separa certas pessoas para o ministério da palavra. Mas nos queremos dizer a Deus quem Ele pode chamar ou não. E para ser mais claro, nós queremos dizer a Deus que Ele só tem direito de chamar pessoas dentro do gênero masculino… escolher, chamar e separar é uma prerrogativa exclusivamente divina”[23]

Os ordenistas entendem que os seminários em geral já reconhecem o chamado das mulheres para o ministério, diz a Pra. Zenilda Reggiani Cintra: “…o ministério pastoral feminino nas igrejas batistas da CBB é uma realidade irreversível. Os seminários batistas, como também de todas as outras denominações, preparam as mulheres para o ministério, reconhecendo que Deus as chamam também”[24], e igualmente Pr. Jairo Barbosa Pessoa diz:

“Portanto ninguém em são juízo ou de maior acurada intepretação pode impedir a consagração de uma mulher vocacionada por Deus para a excelente obra do ministério pastoral. A primordial condição para a consagração ou separação para o serviço específico do reino aqui na terra é uma verdadeira e autêntica vocação”[25].

Em consonância a isso, Pr. Josué Melo Salgado assevera:

“À luz do ensino de Jesus, e também da nossa Declaração Doutrinária, questiono a nossa competência como seres humanos para decidirmos se Deus pode ou não chamar mulheres para o pastorado, pois que, mandar, escolher, chamar e separar são prerrogativas exclusivamente divinas!”[26].

As supostas proibições como questões culturais


            Os principais textos que os não ordenistas mencionam para rejeitar a ordenação feminina são apreciados como problemas locais/circunstânciais e não universais. E a Bíblia não deve ser entendida na sua literalidade. Juarez Azevedo citando W.C. Taylor afirma: “…cumpre distinguir na Bíblia aquilo o que é geral, universal e permanente, daquilo que é transitório…por exemplo: Paulo manda saudar com um ósculo santo. Era costume de cordialidade e amor fraternal. Já não é nosso costume nas igrejas…”[27]. Para completar esse argumento o Pr. Roberto Gonçalves Caldas Coelho considera que os textos apresentados por alguns para a proibição da mulher falar na igreja são disciplinares e devem ser entendidos culturalmente. Segundo ele, o Novo Testamento apresenta preceitos permanentes e preceitos circunstanciais, pois

“…Entre os preceitos circunstanciais podemos colocar o da mulher estar em silêncio, pois para a época em que o cristianismo começou era indecoroso a mulher falar em público. O ósculo santo é um preceito circunstancial por isso não o praticamos em nossas igreja hoje em dia, porque haveríamos de querer cumprir o preceito circunstancial da mulher estar em silêncio na igreja”?[28].

A Pra. alemã Andrea Kallweit ao ser indagada em sua entrevista sobre as bases teológicas para ordenação feminista afirma: “…Essa questão depende de como se lê a Bíblia, as pessoas que têm medos são geralmente aquelas que fazem uma leitura literalista, mas se fazem esse tipo de leitura deveriam admitir por exemplo, a existência de escravos hoje…”[29]. A Bíblia deve ser interpretada à luz da contemporaneidade para evitar que radicalismos sejam expostos, segundo o pastor Aloízio Penido Bertho, visto que:

“…Todas às vezes que tentamos interpretar a Palavra de Deus com radicalismos, erramos gravemente, porque a Bíblia é um livro contemporâneo e, como tal, precisa ser interpretado à luz da contemporaneidade. A teologia é a mesma, não muda, mas a eclesiologia, os aspectos culturais, os costumes e até mesmo a liturgia devem receber uma nova roupagem e diferente compreensão em tempos diferentes…”[30].  

A influência patriarcal dos autores bíblicos  


          Segundo Elisabeth S. Fiorenza, o cânon bíblico reflete um processo patriarcal de seleção e funcionou para afastar as mulheres da liderança eclesial e quando o contexto patriarcal é considerado, requer-se uma hermenêutica de suspeita[31]. Então, conforme Carlos César P. Novaes “o contexto patriarcal das sociedades nas quais as Escrituras foram registradas deve ser levado em conta quando analisamos opiniões e considerações feitas em relação às mulheres”[32].

Normalmente os textos bíblicos são feitos e lidos por uma ótica patriarcalista, e até a sociedade moderna tem esta ótica. A revelação divina foi registrada num contexto cultural próprio, o do patriarcalismo, a estrutura de dominação do gênero masculino sobre o feminino, como resultado, os símbolos, a linguagem, os ritos e as instituições de expressão das religiosidades absorveram o código patriarcal e o estenderam a todas as suas manifestações sociais. Ao levar em conta a ideia dinâmica da inspiração em que todos os autores escreveram inspirados pelo Espírito Santo e ao mesmo tempo expuseram seus estilos próprios, fica mais fácil compreender a expressão de René Padilha ao falar que o gênero masculino do vocabulário bíblico relativo a Deus, não significa que este deve ser pensado como um a deidade masculina, no caso do AT pode apenas refletir uma sociedade dominada pelo homem. Portanto, não se pode usar o argumento de que os apóstolos eram somente homens, para rejeitar a ordenação feminina, no máximo tal argumentação expressa tão somente a mentalidade patriarcal dos tempos bíblicos[33].

A liderança feminina na Bíblia


            J. B. Martins de Sá afirma que “nas Sagradas Escrituras as mulheres desde o princípio vêm desenvolvendo papel considerável. Miriam profetiza, irmã de Moisés, após a derrota dos egípcios no Mar Vermelho, liderou as mulheres fazendo-as glorificar o nome do Senhor”[34]

O Pastor Zaqueu M. de Oliveira entende que no período apostólico o trabalho das mulheres foi de um valor inestimável, quando a atuação de Dorcas, Lídia e outra trabalhadoras na causa foi indispensável para a expansão do evangelho[35].

            A posição de Febe

            A “diaconisa Febe” tinha uma posição proeminente na igreja primitiva.  Há evidências de que havia liderança feminina na igreja primitiva. Em sua recomendação, Paulo dá testemunho de que Febe teria sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para ele mesmo. “Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia. Peço que a recebam no Senhor, de maneira digna dos santos, e lhe prestem a ajuda de que venha a necessitar; pois tem sido de grande auxílio para muita gente, inclusive para mim” (Rm 16.2). Isso demonstra que Febe tornou-se numa espécie de referência de liderança feminina na igreja primitiva. O termo traduzido como “auxílio” no original é prostatis, uma palavra que significava função de destaque acima dos outros. Se não admitir que Febe “governou”, ou “liderou”, ou foi uma “defensora”, ou “guardiã”, então é necessário rebaixar os diáconos para qualquer nível em que Febe estava ministrando. Se Febe só “auxiliou”, então é só isso que os diáconos fizeram. Seria muito inconsistente traduzir a palavra como “governador” quando se refere aos homens e “auxílio”, quando se refere às mulheres.

            O Pr. João Batista Martins de Sá admite que “…a igreja em Cencreas fora grandemente abençoada por Deus através de sua serva Febe que ocupa um cargo oficial, servindo a igreja como diaconisa”[36]. O Pr. Zaqueu M. de Oliveira conclui seu artigo afirmando que “…a referência neste texto (1 Tm 3.11) é para mulheres diaconisas, pois Febe era ministra da igreja em Cencréia ( Rm 16.1). O termo é o mesmo usado para o ministério da palavra como ocorre com Apolo e Paulo, chamados ministros – diakonoi (sic) 1 Co 3.5”[37].

O fator jurídico  


A ORDEM DOS PASTORES BATISTAS DO BRASIL permitiu que sete pastoras fossem inscritas legalmente e após serem devidamente consagradas, nos termos estatutários e regimentais da Ordem e uma delas foi eleita como secretária da nova diretoria (gestão 2103). Em 2014 a aceitação ou não de pastoras no quadro da OPBB seria discutido e votado. Porém não há mais o que decidir, uma vez que já está decidido, desde quando a OPBB deliberou e autorizou. Em consequência, inscreveu, filiou e credenciou as sete pastoras, legitimando-as como membros efetivos da OPBB, pois:

“Com isso assegurou-lhes direitos que são irrenunciáveis, são direitos individuais, não são direitos dos nobres pastores, mas queridas colegas pastoras […] Esse direito é próprio daquelas que foram inscritas, aceitas e credenciadas legalmente. Quanto às que ainda não se inscreveram, basta que requeiram, pois se foram consagradas formalmente nos termos exigidos pela OPBB, não há como negar-lhes o acesso” [38].

A quebra de paradigma


            A dúvida bíblica já está resolvida, não há nenhuma proibição, portanto é simplesmente uma questão de romper com os preconceitos. O Pr. Juarez de Azevedo explica:

“… já tive a oportunidade de participar em outro país de uma celebração da ceia do Senhor presidida por uma jovem pastora batista, e confesso que me senti inteiramente à vontade, sem constrangimento, regozijado, até porque nos atos da cerimônia vi o ruir de um velho tabu, que conscientemente muitos batistas desejam ver perpetuado entre nós”[39]

E mais ainda, dentro da evolução sociológica e teológica, seria uma necessidade em face do crescimento das igrejas. Muitas delas possuem maior índice de mulheres, portanto, seria naturalmente mais fácil para uma pastora lidar com as questões íntimas das mulheres[40].

O Pr. Celso A. S. Barbosa define que as mudanças serão sempre um dos maiores obstáculos a serem superados pelos homens e pelas organizações em todos os tempos.  Pois, entre formas e conteúdos, a problemática da ordenação feminina se situa em formas, cuja fisionomia pode ser alterada, buscando sempre a igreja equilibrar sua ambiência interna para permanente manutenção dos seus objetivos. A igreja sempre passou por um processo de mudanças internas, ela sofre naturalmente a influência do meio social, absorvendo costumes e práticas, internalizando mudanças maiores e menores, como a moda do vestuário, os tipos de lazeres, casamento misto, os tipos de cânticos. Não é possível negar que é preciso conviver com as mudanças aceitando-as ou não. Pois isso não altera o conteúdo[41].

Ronald Rutter, diz que “…chegamos ao fato de que a ordenação de mulheres não tem mandamento específico, nem qualquer indício de ideal divino, cai naturalmente na área de valores sociais, circunstanciais e culturais. Dependendo da realidade pratica de cada lugar e cada tempo”[42]. Pr. Silvino Carlos F. Neto concorda, pois “é possível reconhecer que se trata de uma questão polêmica, pois isso exige uma mudança de hábitos e costumes arraigados em uma cultura particular, sendo assim, este processo será de fato muito lento”[43]. Carlos C. P. Novaes sugere que “…diante de nós um desafio descortina-se, o de rompermos as fronteiras patriarcais na busca de um convívio justo  e equilibrado entre os sexos”[44].

Num futuro muito próximo os batistas estarão lidando com a problemática de ordenar ou não mulheres ao ministério pastoral feminino. Isso se faz necessário por causa do aumento de mulheres ingressando nos seminários. “Têm crescido o número de diaconisas e parece haver uma escassez de homens para a obra ministerial”[45]. No Reino de Deus as mulheres tem exercido um papel de altíssima importância. No Velho Testamento figuram em funções de primeira grandeza. E nos dias atuais todos reconhecem o relevante papel como lideres cristãs capazes. “A liderança feminina cada vez mais se firma e vai continuar até o fim dos tempos”[46]. Alguns pensam que o ministério pastoral é um ofício exclusivo para homens, não por razões bíblicas ou neotestamentárias, mas sim por causa de um preconceito herdado de uma antiguidade pagã, ou do judaísmo que “leva pessoas bem intencionada a terem comportamento retrógrado e reacionário compatíveis com uma sociedade de mentalidade atrasada diante dos novos valores impostos pelo cristianismo”[47]. Portanto aceitar as mudanças é o grande desafio dos homens através dos tempos. Há diversas formas sociais que a igreja tem se adaptado, aceitando e vivenciando em muitas de suas manifestações. Por exemplo: a questão do divórcio, tema tratado pela Convenção Batista Brasileira e deixando que cada igreja tomasse sua decisão. Hoje a sociedade moderna julga e qualifica o ser humano pelo produto que gera. A avaliação parte da competência e não do tipo de sexo. O contexto histórico atual está impondo cada vez mais esse princípio[48]. Isso é uma questão de mudança de hábito e costumes arraigados na cultura brasileira, por isso essa mudança será um processo lento, que se não for bem tratado pode trazer consequências negativas para a vida da denominação batista.

A influência de outros países e denominações  


             Os batistas em outros países têm aceitado a ordenação de mulheres ao ministério, bem como outras denominações aqui no Brasil e até onde se constata não tem havido nenhum prejuízo para a causa do evangelho. Célia Reis afirma que “…não é nenhuma novidade para a Igreja Anglicana no Brasil a ordenação de mulheres. Pelo menos 10% do clero brasileiro é composto por presbíteras…”[49]. A brasileira Glaúcia Vaconcelos Wikie, filha e irmã de pastores batistas brasileiros é pastora na 2a Igreja Presbiteriana de Kansas City, Missouri. A pastora titular da Igreja Batista do Calvário na cidade de Denver, Colorado, EUA é a sra. Mary Hulst. Trata-se de igreja batista e de pastora[50]. O Pr. Silvino Carlos Figueira Neto ao defender seu ponto de vista faz a seguinte colocação: “…considerando que já temos exemplos em outros países e no Brasil da atuação da mulher no ministério pastoral sem os perigos e males apresentados nas teses dos que são contrários, sou a favor do ministério…”[51].  Penido diz:

“…até bem pouco tempo agíamos como se as mulheres fossem apenas auxiliares no ministério das igrejas…no entanto por outro lado há mais de uma centena de denominações que já consagraram mulheres ao pastorado e…tenho conhecimento de que pelo menos duas convenções estaduais batistas manifestaram-se oficialmente favoráveis à consagração de mulheres…”[52].  

CONCLUSÃO


Uma história intrigante! Foi o que os batistas brasileiros começaram a construir no solo desta terra no final do século XIX. Uma história que cheira missões, que produziu incontáveis celebrações e levantou homens dignos e apaixonados pelo Evangelho. Uma história de luta, de sofrimento, de visão e de amor pela igreja de Cristo. Uma das experiências mais fantásticas da minha vida foi olhar essa história através das milhares de páginas do O Jornal Batista e imaginar a bravura dos irmãos e pastores lá no inicio do século passado, quando enfrentavam a perseguição e  toda pressão sobre a igreja evangélica.  Por outro lado, a história é autêntica quando contada sobre as nuvens sombrias que tingiram as virtudes da denominação. Sem qualquer dúvida existem muitos elogios a serem feitos, mas também inúmeras correções se fazem necessárias.

            Hoje a Convenção Batista Brasileira, com a mensagem de que é uma exigência contemporânea atualizar a teologia, está fazendo uma liquidação total da ortodoxia. O exemplo mais evidente deste fato é a permissão oficial para a ordenação de mulheres ao ministério pastoral, o qual se constitui num claro e inconsequente desvio doutrinário. A análise histórica no O JORNAL BATISTA  deixou óbvio que esta decisão não foi um acidente de percurso, mas sim, que fora construída ao longo dos anos. E uma vez que as rachaduras não são reparadas, inevitavelmente todos serão afetados em graus diferentes.

            Há na história recente dos batistas um evento que me trouxe uma pesada preocupação. Em Junho de 1999, a Primeira Igreja Batista de Campo Limpo (SP) decidiu pedir o exame de ordenação ao ministério pastoral da irmã Silvia Nogueira e na ocasião isso resultou numa polêmica generalizada. Baseado neste fato, há três expressões que quero destacar, as quais foram extraídas do pronunciamento da igreja sobre a situação: 1. “O Concílio foi convocado pela nossa Igreja depois de meses de reflexão, debates e decisão em culto administrativo” (reflexão); 2. “Oramos pela denominação que amamos cuja declaração de fé defendemos” (amor denominacional); 3. “Convivência e cooperação fraternas queremos ver crescer dentro de nossa denominação, baseadas no respeito à autonomia da igreja local e na democracia batista” (espírito democrático)[53]. Observe a coincidência dos fatos no que se refere a Igreja Batista do Pinheiro (AL), que foi igualmente excluída da CBB por causa da sua decisão[54]: 1. “Celebro esta decisão histórica com muito temor no coração, uma vez que a mesma encerra um debate de 10 anos, onde estudos bíblicos, encontros, mesas redondas, embates, debates […] mergulhamos o mais profundo que pudemos nos estudos exegéticos e hermenêuticos em busca de um consenso que trouxesse paz ao coração na hora de decidir” (reflexão); 2. “Em nenhum momento durante os dez anos…tentamos desrespeitar algum princípio batista…” (amor denominacional); 3. “Vale ressaltar que a proposta foi levada à assembleia extraordinária por parecer da diretoria sem nenhuma ingerência pastoral” (espírito democrático). Parece que a história se repete, e se assim for, daqui algum tempo estaremos discutindo a possibilidade de ordenar ao ministério pastoral pessoas que se declaram homoafetivas.  A preocupação que pesa sobre mim é a incerteza de que a CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA não tomará os mesmos caminhos que algumas denominações tomaram. Se alguém pensa ser isso exagero, leia o artigo publicado no OJB  em março de 2008 página 5 (http://acervo.batistas.com).

Por isso, eu acredito que se não houver esforços sem medidas para reparar as rachaduras nas estruturas da ortodoxia, muito em breve seremos sucumbidos pela avalanche de heresias, as quais aguardam a oportunidade para massacrar a genuína fé.

Por fim, a nossa esperança neste contexto de apostasia é o antigo e tão “desatualizado” conselho do apóstolo Paulo: “Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1 Tm 1.18-19).   

Abaixo um quadro resumo expondo uma lamentável realidade:


Tabela 4 – Quadro sobre denominações que aceitam pastores homossexuais



Denominação

Primeira ordenação feminina

Reconhecimento oficial pastorado feminino

Primeira ordenação homossexual

Reconheceu oficiais/pastores homossexuais

Igreja Episcopal dos EUA.

FONTE

Janeiro de 1944

1974

Mulheres Padres

2014

* Mulheres Bispas

Novembro de 2003. Gene Robinson, separado e pai de dois filhos, desbancou 3 concorrentes e foi o escolhido para ocupar o cargo na paróquia de New Hampshire, nos EUA.

A Igreja da Inglaterra é a igreja-mãe da Comunidade Anglicana, que tem cerca de 85 milhões de seguidores em todo o mundo. Desde 2005, ela permite que homens e mulheres homossexuais unidas em uma parceria civil se tornem sacerdotes.

A E. DOS EUA Julho de 2009.

Disponível em: http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/igreja-anglicana-da-inglaterra-autoriza-ordenacao-de-padres-gays-unidos-civilmente,4869cd074560c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/igreja-anglicana-do-comeco-ao-fim –(acessado em 5.10.2016)

Igreja Luterana Americana

FONTE

24 de Agosto de 2009

24 de Agosto de 2009

Revista Ultimato -Edição 321 -Novembro-Dezembro 2009.

Disponível em: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/321/pastores-gays-e-pastoras-lesbicas-na-igreja-luterana- americana/pastorasnov/dez 2009 (acessado em 5.10.2016)

Disponível em: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,igreja-episcopal-abre-todos-os-postos-do-sacerdocio-a-gays,403158 – (acessado em 5.10.2016)

Disponível em: http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com.br/2011/05/aprovada-oficialmente-ordenacao-de.html  (11.05.2011) -(acessado em 5.10.2016)

http://www.christianpost.com/news/presbyterian-church-usa-votes-to-allow-openly-gay-clergy-50176/

Presbyterian Church

FONTE

Outubro de 2011

Disponível em: http://www.christianpost.com/news/presbyterian-church-usa-votes-to-allow-openly-gay-clergy-50176/

Disponível em: http://oglobo.globo.com/mundo/eua-igreja-presbiteriana-ordena-pela-primeira-vez-um-pastor-assumidamente-gay-2742314  – (acessado em 5.10.2016)

Igreja Presbiteriana da Escócia (Igreja Estatal)

FONTE

1960

Maio de 2009

Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com.br/2009/06/desmond-tutu-endossa-pastores.html -(acessado em 5.10.2016)

A Assembléia Geral da Igreja da Escócia, conhecida como Kirk, num votação de 326 a 267 confirmou a nomeação de Scott Rennie, um homossexual abertamente praticante, como pastor na Igreja Queen’s Cross em Aberdeen.

Igreja Luterana da Suécia

FONTE

1958

Novembro de 2009 – Bispa Gay

Disponível em: http://noticiasprofamilia.blogspot.com.br/2009/12/igreja-da-suecia-ordena-primeira-bispa.html

Disponível em: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,igreja-luterana-sueca-ordena-primeira-episcopisa-lesbica,463571  -(acessado em 5.10.2016)

Igreja Luterana do Canadá

FONTE

Junho de 2011

A votação para permitir que homossexuais praticantes sejam ordenados como pastores foi aprovada por 205 a 114.  Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com.br/2011/07/igreja-luterana-do-canada-se-fragmenta.html -(acessado em 5.10.2016)

Igreja Anglicana Canadá

Episcopal EUA

Os conservadores já têm uma posição bem clara. No mês passado, 300 de seus bispos se juntaram em uma assembleia independente realizada em Jerusalém e, num manifesto público, afirmaram que não reconhecem como membros da mesma comunidade religiosa a Igreja Episcopal dos EUA e a Igreja Anglicana do Canadá – duas das províncias mais liberais. Também disseram que não almejam o rompimento com a Comunidade Anglicana, mas rejeitam a autoridade do arcebispo de Cantuária, assim como a ordenação de mulheres e de homossexuais ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.  Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/igreja-anglicana-do-comeco-ao-fim – (acessado em 5.10.2016)

Convenção Batista Brasileira

06/1999

01/2014

A igreja Batista do Pinheiro em Alagoas já aceita oficialmente membros homossexuais no rol de membros. Março de 2016.

Fonte: o autor Wagner Ferreira



Pr. Wagner é casado há 20 anos com Rita Ferreira, pastor há 12 anos da PIB de Cambuí-MG. 

É mestre em Teologia -NT, pelo SBPV, Bacharel em Teologia – SBPV.

Atua também como professor do Ministério Pregue a Palavra.










[1] A Declaração de Seneca Falls (em inglês: Seneca Falls Convention) ocorreu de 19 a 20 de julho de 1848 na localidade de Seneca Falls, no estado de Nova Iorque, sendo a primeira convenção sobre os Direitos da Mulher nos Estados Unidos. Este evento histórico é considerado o nascimento do movimento feminista. As organizadoras da conferência foram Lucretia Mott e Elizabeth Cady Stanton. Resultou desse encontro, pois, a publicação da famosa Declaração de Seneca Falls ou a Declaração de Sentimentos, como elas a chamaram, que foi um documento baseado na Declaração de Independência dos Estados Unidos e no qual foram denunciadas as restrições, sobretudo no campo da política, às quais estavam submetidas as mulheres, sendo estas: Não poder votar, não comparecer a eleições, não poder ocupar cargos públicos, não poder afiliar-se a quaisquer organizações políticas ou prestar quaisquer assistência em reuniões políticas.


[2] Adolf von Harnack (DorpatEstónia7 de maio de 1851 — Heidelberg10 de junho de 1930) foi um teólogo alemão, além de historiador do cristianismo. Suas duas obras mais conhecidas são o Lehrbuch der Dogmengeschichte (“Manual de história do dogma”, em três volumes) e a série de palestras Das Wesen des Christentums (“A essência do cristianismo”), texto clássico da teologia liberal. Harnack recebeu diversas condecorações, entre outros, em 1902 a Ordem Pour le Mérite para as Ciências e as Artes, da qual foi chanceler de 1920 até a sua morte em 1930


[3] A Universidade Friedrich Schiller de Jena (Friedrich-Schiller-Universität Jena) é uma universidade alemã situada na cidade de Jena, na Turíngia. É uma das dez universidades mais antigas da Alemanha. Foi estabelecida em 2 de fevereiro de 1558 segundo planos do príncipe eleito João Frederico I da Saxônia (em alemão: Johann Friedrich von Sachsen).


[4] Op. cit., FIORENZA, p. 38.


[5] Ibidem, p. 68.


[6] Ibidem, p. 33.


[7] Op. cit., SCHOTTROFF-SCHROER-WACKER, p. 35.


[8] Op. cit. FIORENZA, p. 63.


[9] Idem.


[10] OJB, 24 de Julho de 1930, p. 2.


[11] OJB, 08 de Abril de 1954, p. 3.


[12] OJB, 3 de Outubro de 1976, p. 5 e 7.


[13] OJB, 18 de Dezembro de 1994, p. 12.


[14] OJB, 29 de Julho de 2002, p. 6.                                                                                                                                            


[15] OJB, 15 de Maio de 1994, p. 1.


[16] OJB, 25 de Dezembro de 1994, p. 4.


[17] OJB, 25 de Dezembro de 1994, p. 9.


[18] OJB, 21 de Abril de 1996, p. 5.


[19] OJB, 23 de Março de 1998, p. 9.


[20] OJB, 27 de Junho de 2010, p. 14.


[21] OJB, 25 de Dezembro de 1994, p. 9.


[22] OJB, 28 de Janeiro de 1996, p. 4.


[23] OJB, 08 de Agosto de 2010, p. 14.


[24] OJB, 9 de Junho de 2013, p. 6.


[25] OJB, 28 de Janeiro de 1996, p. 4.


[26] Blog: http://pastorazenilda.blogspot.com.br/search/label/teologia – acessado em 01.10.2016


[27] OJB, 18 de Dezembro de 1994, p. 12.


[28] OJB, 25 de Dezembro de 1994, p. 9.


[29] OJB, 29 de Setembro de 1996, p. 12.


[30] OJB, 04 de Dezembro de 2005, p. 14.


[31] Op. cit., FIORENZA, p. 81.


[32] OJB, 29 de Junho de 2002, p. 6. 


[33] OJB, 2 de Fevereiro de 2003, p. 6.


[34] OJB, 3 de Outubro de 1976, p. 5.


[35] OJB, 23 de Março de 1998, p. 9.


[36] OJB, 3 de Outubro de 1976, p. 5.


[37] OJB, 23 de Março de 1998, p. 9.


[38]  OJB, 14 de Abril de 2013, p. 5.


[39]  OJB, 18 de Dezembro de 1994, p. 12.


[40]  OJB, 25 de Fevereiro de 1996, p. 4.


[41]  OJB, 21 de Abril de 1996, p. 5.


[42] OJB, 09 de Junho de 1996, p. 4.


[43] OJB, 09 de Março de 1998, p. 10.


[44] OJB, 02 de Fevereiro de 2003, p.6.


[45] OJB, 13 de Fevereiro de 1994, p. 4.


[46] OJB, 22 de Maio de 1994, p. 11.


[47] OJB, 18 de Dezembro1994, p. 12.


[48] OJB, 21 de Abril de 1996, p. 5.


[49] OJB, 04 de Setembro de 1994, p. 12.


[50] OJB, 25 de Dezembro de 1994, p. 3.


[51] OJB, 09 de Março de 1998, p. 10.


[52] OJB, 04 de Dezembro de 2005, p.14.


[53] OJB, 04 a 10 de Outubro de 1999.  p. 8.


[54] Igreja Batista que decidiu aceitar e batizar pessoas homoafetivas. Disponível em http://m.vejagospel.net/gospel/igreja-batista-decide-em-assembleia-aceitar-homossexuais (acessado em 5.10.2016)

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"FALA COM SABEDORIA E ENSINA COM AMOR."

Proverbios 31:26